“PIEDRA sobre PIEDRA” exposición en el Ministerio de Fomento

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En la exposición Piedra sobre piedra se hace balance de la intervención del Ministerio de Fomento en la labor de recuperación del patrimonio arquitectónico durante los treinta años que han transcurrido desde que fuera aprobada la Ley 16/1985, de 25 de junio, del Patrimonio Histórico Español. Un largo periodo de tiempo en el que se ha trabajado en un gran número de lugares y símbolos que constituyen elementos esenciales de la identidad de nuestros pueblos y ciudades. El patrimonio presenta una importancia cultural y social muy relevante, pero también que es un activo económico, una fuente de crecimiento no deslocalizable y en constante progresión, generadora de actividad económica, cohesión territorial y, en suma, redistribución de la riqueza.

La muestra ha sido comisariada por Ricardo Sánchez Lampreave.

Más información: http://www.fomento.gob.es

 

 

Paulo David en “OS UNIVERSALISTAS – 50 años de arquitectura portuguesa”

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Uma arquitectura para reinventar o universalismo

Por Sérgio C. Andrade

11/04/2016 – 07:57

Os universalistas – 50 anos de arquitectura portuguesa é uma exposição que vai ser inaugurada esta terça-feira em Paris. Nuno Grande é o comissário da mostra, que continua a assinalar o meio século da presença da Fundação Gulbenkian na capital francesa.

A sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, projectada pelos arquitectos Alberto Pessoa, Ruy d’Athouguia e Pedro Cid; o Estádio do Povo, em Bagdad (Francisco Keil do Amaral e Carlos Manuel Ramos); a Embaixada de Portugal em Brasília (Raul Chorão Ramalho); a Igreja da Machava, em Maputo (Pancho Guedes); o Orfanato Helen Liang, em Macau (Manuel Vicente); o Edifício Bonjour Tristesse, em Berlim (Álvaro Siza); a sede do Governo do Brabante Flamengo, na Bélgica (Gonçalo Byrne); o Teatro-Auditório de Poitiers, em França (João Luís Carrilho da Graça); o Museu da Fundação Iberê Camargo, no Brasil (Álvaro Siza); o Crematório de Uitzicht, na Bélgica (Eduardo Souto de Moura). Dez exemplos de como a arquitectura portuguesa é universalista. É-o não apenas porque está presente nos quatro cantos do mundo, mas porque simultaneamente expressa uma autoria portuguesa e adequa-se ao lugar e à cultura que a encomendou e acolhe.

Este é o princípio aglutinador das 50 obras com que o arquitecto e professor Nuno Grande (n. Luanda, 1966) quis contar a história do último meio século da arquitectura portuguesa, numa exposição que esta terça-feira é inaugurada em Paris, na Cité de l’Architecture & du Patrimoine, mesmo em frente à Torre Eiffel.

Trata-se de mais uma iniciativa do programa com que, desde o ano passado, a Gulbenkian vem assinalando os 50 anos da inauguração da sua delegação na capital francesa, e que na próxima semana, a 20 de Abril, se prolongará com a retrospectiva da obra de Amadeo de Souza-Cardoso, no Grand Palais.

O comissário da exposição de arquitectura chamou-lhe, de resto, Os universalistas. Mas com “u” minúsculo. Por um lado, retomando “a relação aberta que os portugueses têm com o mundo” e que esteve expressa em diferentes momentos da História, desde os Descobrimentos até ao fenómeno da emigração, passando pela colonização e pela diáspora, e com expressões que “chegam à literatura e ao cinema”, nota Nuno Grande, lembrando textos de Agostinho da Silva, José Gil e Eduardo Lourenço, ou os filmes de Manoel de Oliveira e de Miguel Gomes.

Mas “universalistas” também por contraposição com o correspondente francês deste conceito fundado com o iluminismo do século XVIII, e que “de alguma maneira foi imposto de cima para baixo, o que hoje já não colhe”, acrescenta Nuno Grande ao PÚBLICO, exemplificando com a perda de influência que a França vem sofrendo no contexto geopolítico mundial.

“É preciso repensar a ideia de cidadãos que vem da Revolução Francesa; nós não queremos ser todos iguais; o que é interessante, hoje, na Europa, é cultivar as diferenças culturais entre os vários países”, diz o comissário, chamando a atenção para o esgotamento do modelo francês. “Esta exposição tenta, de uma forma algo provocadora, interpelar e questionar a arquitectura francesa, e a França, a partir [da produção arquitectónica] deste povo pequenino do canto sul da Europa”, que historicamente se tornou universalista “por defeito”, como explica Eduardo Lourenço.

O filósofo e ensaísta é, de resto, uma espécie de “guia” desta exposição, através de uma selecção de textos e entrevistas que Nuno Grande dispôs no percurso da mostra que vai ocupar 450 metros quadrados na Cité de l’Architecture – e cujo auditório vai acolher esta segunda-feira um colóquio com vários críticos portugueses e franceses, e alguns dos arquitectos representados em Les universalistes.

Os últimos 50 anos da arquitectura portuguesa serão mostrados numa selecção de documentos, reproduções de projectos originais e plantas, fotografias, e ainda uma série de caricaturas de João Abel Manta e um diaporama fotográfico de Alfredo Cunha, que contam a história do país desde a década de 1960.

A exposição inclui ainda a edição de um catálogo com as obras representadas, e com textos de arquitectos, historiadores e críticos portugueses (Ana Tostões, Ana Vaz Milheiro, José António Bandeirinha, Jorge Figueira e Ricardo Carvalho) e franceses (Francis Rambert, director do Instituto Francês da Arquitectura, Jean-Louis Cohen, Dominique Machabert e Jacques Lucan).